Canteiro Mimoso


ÍNDICE

 

Dedicatórias

Prefácio

Átrio

Preito

Meio Ambiente

Gosto e Desgosto

A Solidariedade

Planos Gorados

Marcha Popular da Minha Escola

Joaninha

Uma Caçada

Boa Acção

A Floresta

O Vento

O Pião

Imprevisto

Cumpridores

Férias no Campo

Bom Termo

Desobediência

Muita Sorte

Chula de Vila Verde

O Café

Contentamento

Os Instrumentos

As Estações do Ano

Um Brinquedo

Cãozinho e Gatinho

O Periquito

Ao Rio Cávado

A Fantasiar

Bonita Andorinha

Muito Alegres

Minho

A Fantasiar

Trá-lá-lá

Marcha dos Três Santos Populares

O Meu Pião

A Fantasiar

Dia de S. Martinho

Pai Natal

Já é Natal

Os três Reis do Oriente

Matinal

Bons Momentos

Canário

Dia da Mãe

Mimos


Dedicatórias




À minha Mulher, Aos meus Filhos


Quatro *Mimos* do "Canteiro"
formam invulgar jardim:
oxalá que o Jardineiro
bem Os cuide até ao Fim...



Às Crianças do Universo


Para os milhões de Crianças,
que habitam o Universo
peço ternuras, bonanças
e o mais amoroso verso!



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Prefácio

Encontrando a fonte da sabedoria num "Canteiro Mimoso"



José Fernandes da Silva, poeta, músico e contista, prossegue a sua obra criadora com a apresentação de mais um título poético a que deu o sugestivo nome de "Canteiro Mimoso", acompanhado do sub-título "Poesia infanto-juvenil". Já não é este o primeiro granjeio que o poeta dedica às crianças e aos jovens, entidades que vicejam luminosamente com a sua pureza, encanto e candura, em outros títulos já por si editados.

Neste livro, José Fernandes da Silva parte do grande poder evocativo e plurívoco do vocábulo "canteiro", que remete o leitor para um mundo de significações ligadas ao trabalho da pedra e das flores, mas onde, por extensão, também podemos descortinar uma breve associação ao mundo das canções. Contudo, o significado mais intencional do título é o que nos transfere para a ideia de parcela de jardim onde se cultivam flores, ainda que a alusão livre ao artista que trabalha em cantaria não seja totalmente descabida, porque trabalhar a poesia como o autor trabalha lembra muitas vezes essa árdua tarefa de talhar a pedra.

Fica claro que é de um mundo de flores que o poeta quer falar, "de imensos tesouros / com valor sem par", mas fica também claro que a metáfora ou pedra angular da construção poética é feita, não de flores verdadeiras e naturais, mas de outros valores que se equiparam em beleza e as suplantam em importância existencial.

Que jardineiro é este, que canteiro cuida e que flores colhe delicadamente para tornar o mundo mais belo? Em primeiro lugar, o jardineiro é o poeta, mas não é um poeta qualquer, mas um poeta sensível, emocionado com o espectáculo do mundo, que foi cultivando (não se lembra quando) "um álbum de imagens / de raras folhagens, / bem como aguarelas / de expressiva cor, / fantásticas telas / de terno primor..."

Sendo o poeta um jardineiro do mundo circundante, o seu jardim é o jardim proporcionado pela natureza humana onde medram os valores associados a uma condição exigente e contraditória, expressa em conceitos tão opostos como "a Vida e a Morte, / o fel, a doçura, / a boa e a má Sorte; / o luxo, a miséria / (...) a pureza d'alma, / ímpetos, fervor, / o bulício, a calma, / protestos, louvor..." É desta semente multitudinária e moral que nascem flores, ou poemas, que se apresentam sob a forma de "lendas, descrições, / vaticínios, glórias, / pueris sensações, / derrotas, vitórias, / simples narrações, / diálogos, fábulas, / marchas e canções...", para usarmos os jogos verbais e rítmicos do poeta.

Ora, já vemos que tipo de flores o poeta nos oferece para nosso deleite e contemplação: são preitos de gratidão à mãe, elevada à condição de "santuário do amor"; são conselhos sobre a preservação do meio ambiente; são máximas morais onde se apregoam valores como a solidariedade, a rectidão do comportamento, o amor à natureza e aos bichos; são histórias de exemplo e proveito; são hinos de alegria e louvor à terra-mãe, aos padroeiros, aos ciclos festivos e aos símbolos do Natal; são recordações de uma infância perdida e revivida nas crianças de agora; são preces a entidades fluviais, como ao Cávado, cenário de tantos desastres humanos; são aventuras juvenis, perigosas e temerárias, corrigidas em boa hora por mãos sensatas e bondosas.

Pela descrição dos temas integrantes do "Canteiro Mimoso" e pela qualidade do adjectivo que qualifica o substantivo "canteiro" percebe-se que esta poética tem um destinatário privilegiado, as crianças, para as quais elaborou uma verdadeira cartilha de ensinamentos, através dos ritmos encantatórios dos versos rimados, alguns deles elaborados quase ao jeito da lengalenga, como tanta literatura da chamada tradição oral. É da formação moral da infância e juventude que o poeta-jardineiro do "Canteiro Mimoso", quer cuidar, com amor e devotamento, indicando aos seus "aprendizes" o caminho do bom proceder, através de conselhos como: "levemos ao triste, ao pobre, / um suave amanhecer..."; "a floresta respeitemos, / porque assim a Natureza / também em festa veremos...";

"Se apostarmos na defesa / da floresta tão imensa, / teremos como surpresa / magnífica recompensa..."; "Ao mal sempre dizer não; / tratar tudo com amor.", e tantos outros. Para esta pedagogia o autor também se socorre do método tradicional da fábula, como a da coelhinha estulta e vaidosa; do aforismo ("Quem tem uma Mãe, tem tudo; / quem não tem Mãe, não tem nada!"); da oração piedosa ("Pai-nosso, de eterno amor, / em pão-nosso deste dia, / faz que ninguém sinta dor / e desfrute d'alegria!"), e doutros processos próprios da linguagem coloquial e prazenteira do povo.

Aqui temos, pois, a toada afectiva e musical da poesia de José Fernandes da Silva, organizada em versos corredios e realistas, que se concretizam nos aspectos mais acrisolados da consciência humana (o amor, a paz, a felicidade, a alegria, a gratidão) e que dão colorido à vida comezinha, aos pequenos-grandes nadas ue tornam a simplicidade na mais complexa de todas as virtudes com que o homem foi dotado por Deus. Todo este universo reformador, aqui e ali, satírico e jocoso, é servido numa grande variedade de formas, dentre as quais se destacam quadras, quintilhas, sextilhas, oitavas e décimas, ora de redondilha menor ora de redondilha maior. No seu reportório formal o poeta também deita mão do soneto decassilábico, como é o caso de "Férias no Campo" e chega, somente a título excepcional, ao verso hendecassilábico, acentuado na 5ª e 8ª sílabas, em "O meu Pião", quanto ao mais abundam na obra odes e canções, alegres e saltitantes como as crianças que retratam.

A infância e a juventude, a vivida e recordada, e a vivente e observada, são entidades da esfera sagrada e inviolável do homem, que devem ser tratadas com os desvelos próprios de um jardineiro, que humildemente cuida das suas flores, livrando-as das pragas e das intempéries do tempo, para que possam vir a este mundo, formosas e isentas de mal, para que hoje e sempre sintamos, ao observá-las, o mesmo prazer e alegria que quando nos embriagamos com o perfume e a cor de um "Canteiro Mimoso". Esta é a mensagem do poeta-jardineiro. E é de jardins, muitos jardins, que o nosso tempo precisa, porque as pragas que afectam o nosso viver hodierno estão a ponto de sufocar a própria origem da sabedoria, conforme o próprio poeta reconhece: "Às vezes, dou meu conselho, / sempre de uma forma amiga: / respondem-me que estou velho / e penso à maneira antiga!"

Bem "árdua lida" este jardineiro terá nas "agras da Vida!"


Braga, 30 de Janeiro de 2009


Fernando Pinheiro
escritor


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Átrio

Ao Fernando Pinheiro



*CANTEIRO MIMOSO*,
plantado por mim,
sortido e viçoso
não há outro assim,
pois é um viveiro
que pretende ser
o farto celeiro
do meu bem-querer!
Melhor jardineiro
nenhum pode ter!


Contém raridades
a inédita jeira:
há sublimidades
n'arca verdadeira
de imensos tesouros
com valor sem par,
porque são os louros
do meu semear
nas agras da Vida,
em árdua lida...


Feito p'ra crianças,
jovens e graúdos
são luz e bonanças
estes conteúdos,
repletos de histórias,
lendas, descrições,
vaticínios, glórias,
pueris sensações,
derrotas, vitórias,
simples narrações;


diálogos, fábulas,
elegias, rábulas,
marchas e canções;
contos, pensamentos,
felizes momentos
de boas acções
de um samaritano
que no mundo passa,
sincero e humano,
de cândida raça...


Lancem um olhar,
para confirmar
que existe de tudo
no ímpar alfobre:
o rude, o veludo,
o avaro e o pobre;
tristeza, alegrias,
a fé, caridade,
fundas agonias,
orgulho, bondade;


prazer, amargura,
a Vida e a Morte,
o fel, a doçura,
a boa e má Sorte;
o luxo, a miséria,
a existência etérea;
a pureza d'alma,
ímpetos, fervor,
o bulício, a calma,
protestos, louvor...


Quanto imaginei
lá fui cultivando,
até que alcancei
(não me lembro quando)
um álbum de imagens
de raras folhagens,
bem como aguarelas
de expressiva cor,
fantásticas telas
de terno primor...


O franco balanço
me traz o descanso:
Quando o semeei,
no curso da vida,
não imaginei
que fosse atingida
tamanha ambição;
mas agora creio,
e com convicção,
não haver receio


de ser destruído
seja por quem for,
pois foi concebido
com favos de amor...
Podem observar
que em cada exemplar
há uma função,
sempre no sentido
de que o coração
não fique exaurido!


No íntimo seio
procurei um meio
de agradar a todos,
tecendo um recheio
de múltiplos modos,
sem ser egoísta...
Consultem a lista,
que lhes é exposta
e encontram a pista
de quanto se gosta...


Renovo o convite
para uma visita
ao reino de sonho,
porquanto suponho
terão apetite
p'ra verem a dita
do ávido obreiro
que tudo empenhou,
mas que vos legou
sortido "Canteiro"!



Setembro-Outubro de 2001


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Preito

À minha Mãe, com um beijo terno



É um nome pequenino,
fácil de pronunciar
por quem é grande ou menino
e faz dele um feliz hino,
ou cântico de embalar...


Ó Mãe que me deste o ser
e cumulas de carinhos:
esteja eu onde estiver
não encontrarei Mulher
com tão belos pergaminhos!


A Tua imagem querida
irradia paz e calma,
que me acompanha na vida
e em que sinto reflectida
a pura nobreza de alma!


És santuário de amor,
de dádiva, de afeição;
trespassada pela dor,
não mostras, seja a quem for,
o sentir do coração!


Suportas, com um sorriso
e olhar mavioso e terno
o que em instante preciso
parece ser paraíso,
mas é um sofrer de inferno!


Seja lá qual for a idade,
jovem, adulta ou velhinha,
nas horas de adversidade
relembro a sublimidade
dos conselhos de rainha!


Quando surgem as agruras,
no percurso do viver,
extasiam-me as ternuras
de tantas palavras puras,
de afagos e bem-querer!


Mesmo de longe, me guarde
o grande amor, sublime,
e se mantenha, até tarde,
tanto afecto que em mim arde,
me conforta e me redime...


Quem é capaz de fazer,
pelos filhos, sempre o bem?:
Apenas uma Mulher,
que, viva como viver,
em tudo saiba ser Mãe!



Abril de 2000


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Meio Ambiente


Devemos, a cada instante,
alertar e ter presente
que tudo é reconfortante
com um bom meio ambiente!


Havendo um puro ambiente,
acharemos a floresta
receptiva, em permanente
arraial de grande festa!


Saibamos, durante a vida,
manter vivo um são capricho:
pôr o dedo na ferida,
rejeitando todo o lixo!


Ao longo de cada dia
defendamos, com firmeza,
a saudável alegria
da bonita Natureza!

Fevereiro de 2001


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Gosto e Desgosto


Certo rapazinho,
à noite, ao luar,
viu um passarinho
num ramo a cantar.
Quis logo apanhá-lo,
ficando a pensar
como engaiolá-lo
e sempre escutar!


'Stava já cansado
de muito tentar
e desanimado
por não o caçar.
Triste e convencido
olhou para o ar
e bem comovido
o viu a voar!



Fevereiro de 2001


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A Solidariedade


À minha Mulher


Na ajuda se leva a efeito
a solidariedade:
se em tudo existir respeito
haverá felicidade.


É símbolo de alegria
praticar a boa acção:
fazê-lo, no dia-a-dia,
mostra ter bom coração.


Sem conta, por todo o lado,
que se faça sempre o bem,
de um modo desint'ressado
e sem nunca olhar a quem.


Quem é que se não consola
com um gesto fraternal?:
pratica em casa, na escola,
em qualquer outro local.


Tenhamos, p'la vida fora,
atitudes de cristão:
ao ser que padece e chora
estendamos franca mão.


Doemos grande carinho
e momentos de calor
ao venerando velhinho,
que suspira por amor.


É próprio de quem é nobre
dar do pouco que tiver:
levemos ao triste, ao pobre,
um suave amanhecer...


Seria o mundo um regalo,
se não houvesse sofrer:
podemos amenizá-lo
com acções de benfazer.


Em tudo ser solidário,
eis a meta p'ra alcançar:
subamos esse calvário
que dará um bem-estar...


Maio de 2001


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Planos Gorados


Aconteceu, em certa ocasião,
encontrarem-se, junto de uma casa,
um finório diabo e um ladrão.
Enquanto que o larápio astuciava
como roubar a burra ao pobre velho,
o companheiro sacudia a asa
e, doutamente, um prático conselho,
acompanhado de mesuras, dava...


Acordaram a forma de actuar:
O primeiro queria ir habitar
no bom proprietário, que era crente;
o outro pretendia entrar na corte
e levar-lhe o quadrúpede excelente.
Logo que o homem desse um 'spirro forte,
o diabrete nele se alojava
e o outro o animal surripiava...


Então, quando o sonante espirro soa,
pela força do hábito, o ladrão,
que, no seu posto, a porta já empurra,
um grito solta, que por tudo ecoa:
"Que Deus te salve, boa criatura!"
Com fúria, o demo diz, p'la fechadura:
"Acode à corte, porque um figurão
procura o jeito de furtar-te a burra!..."


Junho de 2000


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Marcha Popular da Minha Escola


Cá vai a Escola em primores,
com arquinhos e balões,
colorida, sem igual:
alunos e professores
são os grandes foliões
neste festivo arraial!


São os santos populares
lindas festas, animadas
e dão alegria aos lares
as divertidas noitadas!


S. Pedro, António e João,
ó bons santos protectores,
juntai-vos à reinação
de alunos e professores!


Mas a noite é para todos
os que gostam da folia:
folguedos, de muitos modos,
não deixeis até ser dia!


Junho de 1998


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Joaninha


Voa, voa, joaninha,
a percorrer a floresta,
essa formosa rainha,
que noite e dia tem festa!


São as árvores frondosas
a mostrar frutos, folhagem
e com flores tão vistosas
a colorir a paisagem!


É a alegre passarada,
fauna e flora bem sortida,
em constante desgarrada
e salutar hino à Vida!


Santuário de beleza,
a floresta respeitemos,
porque assim a Natureza
também em festa veremos...


Abril de 1999


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Uma Caçada


Pum, pum, com fragor,
tiros a estalar:
o hábil caçador
tudo quer caçar!


O coelhinho salta e gira,
a verdura, contente, a roer.
O caçador chega e atira:
nunca mais pode correr...


A farejar, o perdigueiro,
afugenta a manhosa perdiz.
O caçador, tiro certeiro,
torna o voo infeliz...


A lebre corre, perseguida
pelo galgo, veloz, lutador.
Sem coração, rouba-lhe a vida
o astuto caçador...


Arrulha o pombo, muito atento
aos estouros de tiros ao ar.
Há-de chegar o tal momento
de, também ele, tombar...


Da toca sai, muito ladina,
acossada, a raposa a galgar:
os zagalotes dão-lhe a sina
de perder o regougar...


A rola geme, nos pinheiros,
e parece que a Sorte adivinha.
Perante os tiros traiçoeiros,
perde a voz, a pobrezinha...


Nos olivais, bandos de tordos,
azeitona a colher, descuidados:
caem os magros e os gordos,
pelos chumbos fuzilados...


Nos milheirais andam texugos,
javalis a comer, a fossar:
logo aparecem os verdugos,
para as contas ajustar...


Por tudo, poisa a passarada,
com gorjeios, sem-fim, de encantar,
mas, sob fortíssima chumbada,
muitos deixam de piar...


Mesmo as espécies que são raras
não escapam aos tiros fatais:
perdem-se, assim, relíquias caras,
que não vêm nunca mais...!


Fevereiro de 2000


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Boa Acção


A Sandra vivia mal,
porque os pais não trabalhavam
e p'rò sustento da casa
o dinheiro não ganhavam.


Era linda, magra, alta
e vestia pobremente,
embora sempre mostrasse
asseio e ar sorridente.


Com todos era simpática;
não invejava ninguém
e sentia-se feliz
quando socorria alguém.


A caminho da escola,
sucedeu-lhe, certo dia,
achar uma cadelinha
que, numa berma, gemia.


Ao vê-la, sem se mexer,
chegou-se, devagarinho,
e com cuidado a pegou,
afagando-a, com carinho...


Examinou-a e achou-lhe,
a sangrar, uma ferida
e soube que tinha sido
por um cãozarrão mordida...


Levou-a, apressadamente,
para a bica de água a jorros
e a gemer, a cadelinha,
teve os primeiros socorros.


Depois, procurou saber
a quem é que pertencia
e ao restituí-la aos donos
sentiu enorme alegria...


Deveras reconhecidos
e sabendo que era pobre,
presentearam a Sandra
com uma dádiva nobre...


Março de 2000


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A Floresta


Ao longo de toda a vida,
felizes, com energia,
a Floresta tão querida
inundemos de alegria!


Quem ama e quem aprecia
a Natureza tão bela,
respeita, no dia-a-dia,
tudo quanto existe n'Ela!


A cada instante, devemos
do chão o lixo apanhar,
porque a Floresta veremos,
satisfeita, a exultar!


Há quem diga muita asneira,
referindo-se à beleza,
porque não falta quem queira
dar cabo da Natureza!


Se apostarmos na defesa
da Floresta tão imensa,
teremos como surpresa
magnífica recompensa...


Abril de 2000


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O Vento


A correr campos e montes,
o vento geme ao passar:
anuncia que o Outono
fez o Verão terminar!


Também, durante o Inverno,
com força, ele vai soprar:
ao sentir a Primavera,
aos poucos, quer acalmar!


É agradável que surja,
pelo tempo de calor,
em aragem muito leve,
que conforte e dê frescor!


Quando ulula nos ciprestes,
os sentidos arrepia,
dando a impressão que reza
uma funda litania...


Sempre que sopra com fúria
e arrasta quanto é beleza,
semeia a desolação
e uma infinita tristeza...


Vento de Leste ou de Oeste,
vento de Sul ou de Norte:
nada estraga quando é calmo;
tudo destrói quando é forte!


Abril de 2001


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O Epílogo Feliz


Os dois amigos miravam
as magníficas cerejas,
que exibia a cerejeira,
sem dúvida, a convidá-los
a fazerem uma asneira...


"Está mesmo carregada
e com frutos madurinhos!
Vamos trepar e comer
à medida da barriga?"
"Não, pois pode aparecer


o dono deste terreno,
reclamando os seus direitos",
retorquiu o companheiro.
O outro não desarmava
e seguiu pelo carreiro,


que conduzia ao local
onde se encontrava a árvore.
Subiu, despreocupado,
com a rapidez de um gato.
Depois de se ter sentado,


feliz, na ponta de um ramo,
olhando o amigo medroso,
acenou-lhe p'ra subir.
"Não hesites! Olha os frutos,
tão vistosos, a sorrir!"


"Não, não subo, tenho medo,
porque pode vir o dono..."
Então, sem mais esperar,
o afoito põe-se a comer
e no ramo a balouçar...


Subitamente, partiu-se,
com o peso, o frágil ramo,
onde estava empoleirado.
Aos gritos, o lambareiro,
pedia ajuda, assustado.


O amigo logo acorre,
aflito e com o desejo
de socorro lhe prestar:
Nada tinha sucedido,
malgrado tão grande azar...


"Podia ser perigoso",
diz o que não se arriscou.
Já com mais tranquilidade,
retruca o aventureiro:
"Podia ser, na verdade,


mas se tudo bem termina,
há que dar graças a Deus!"
(...) Miravam a cerejeira
e cada um meditava
no caso, à sua maneira...


Julho de 2000


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O Pião


Em ocasiões me ponho,
deleitado, a meditar
e mergulho em belo sonho,
de que não qu'ria acordar!


Ai o jogo do pião,
que pratiquei em criança,
dá gozo e satisfação
a delicada lembrança!


Era mirá-lo a girar,
muito rápido, no chão,
ou, com jeito, o apanhar
e pôr na palma da mão!


Ai!, se eu ainda soubesse,
com perícia, manobrá-lo,
seria grande benesse,
contentamento e regalo...


Agosto de 2000


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Imprevisto


Para a Joana Belarmino


Vou narrar-lhes uma fábula
de uma linda coelhinha,
muito briosa e modesta,
que andava a abrir uma lura,
para lá dar uma festa!


Quase já pronto o trabalho,
em que há muito se empenhara,
deu co'as unhas a raspar
num rijo e sonante objecto,
que a deixou a meditar.


Escavou a toda a volta
até poder libertá-lo
e o conseguir arrastar.
Tapou a entrada da toca,
p'ra ninguém bisbilhotar.


Verificou que era um cofre,
que abriu cautelosamente
e dentro achou um tesouro
formado por pacotinhos
de belas moedas de ouro!


Por longo tempo ficou,
atónita e incrédula,
especada p'rò achado:
Viu um Futuro brilhante,
diria adeus ao Passado...


É que, às vezes, meditava,
dentro da sua humildade,
num viver lauto e risonho
e agora tinha os recursos
p'ra realizar o sonho.


A cabecinha, orelhuda,
não parava de pensar:
Surgiram muitos projectos,
tidos ao longo da vida
e que lhe eram bem dilectos.


Mas jamais acreditara
que aquilo lhe sucedesse...
Ora, com tanto dinheiro,
ergueria um palacete
num terreno soalheiro,


que fascinasse, de longe,
quem o quisesse mirar!
Mas agora era preciso
mudar o viver de inferno
em suave paraíso...


À pobreza de outros tempos
surgiria a opulência
e em tudo o maior conforto,
pois queria que o Passado
p'ra sempre ficasse morto...


Compraria ricas jóias,
sapatinhos delicados,
vestidos de purpurina,
laços de todas as cores,
feitos da seda mais fina!


Contrataria mordomos,
governanta e serviçais,
a trajarem a rigor
e p'ra viajar teria
um coche feito a primor!


Sem dizer nada a ninguém
entrou nas melhores lojas
e do bom se abasteceu.
Ao ver-se no grande espelho,
presunçosa, estremeceu:


"Assim vestida e bonita
não é difícil achar
quem faça de mim rainha
e só pode ser um príncipe
a unir a Sorte à minha!"


Mandou erguer um palácio,
concretizou as vontades,
por tudo se foi mostrar.
Inúmeros pretendentes
a quiseram desposar.


Ninguém a satisfazia,
pois todos tinham defeitos:
Só daria o coração
ao rico que demonstrasse
por ela enorme paixão...


Por fim, um nobre cãozinho,
distinto, lhe apareceu,
com ar de grande senhor,
bem pulido no falar
e olhar de conquistador.


Nos dedos finos anéis,
coleira de diamantes,
elegante, bem vestido,
que, aprumado, dirigiu
o seu solene pedido:


"Ó querida coelhinha,
quer reinar no meu castelo,
ornada de pedrarias,
de prazer, de roupas finas
e de eternas alegrias?"


Era o que ela desejava,
não reflectiu duas vezes,
dizendo logo que sim.
Muito em breve houve o noivado
com fantástico festim!


A noiva estava belíssima
e a todos cumprimentava,
de olhar terno e sorridente.
Não havia convidado
que não fosse reverente...


A boda foi impecável,
com o que havia de bom,
digna de quem quer mostrar
carteira bem recheada
e os convivas deslumbrar!


Quando, enfim, tudo partiu,
ficaram sós no castelo
para a noite nupcial,
mas a noiva não sonhava
uma peripécia igual:


O companheiro, raivoso,
começou a persegui-la
por todo o canto e esquina,
pois queria devorá-la.
Ela entendeu sua sina


e começou a correr,
gritando, desesperada,
com o cão quase a caçá-la:
Os noivos que rejeitara
é que vieram salvá-la...


..........


Como podia entender-se
uma simples coelhinha
com um mafioso cão?:
Nele governava a gula
e nela a grande ambição...


Ao seu viver de modéstia
ela desejou voltar
e as pessoas p'lo que valem
e não pelo que aparentam
aprendeu a respeitar...!


Setembro de 2000


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Cumpridores


Aqueles dois miudinhos
há muito estavam à espera
que chegasse a Primavera
p'ra irem procurar ninhos!


De imensas e belas cores
Ela apareceu vestida,
a contagiar de vida
os caules. folhas e flores!


Partiram p'rà aventura
e muitos ninhos acharam,
mas os frutos de ternura,
comovidos, respeitaram...


Tiveram em atenção
conselhos do professor:
"Ao mal sempre dizer não;
tratar tudo com amor."


Setembro de 2000


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Férias no Campo


Passou no campo merecidas férias,
com solarengos dias de Verão,
a calhar para alegre diversão
e narrativas de incontáveis lérias!


Raramente as conversas eram sérias,
bem presente um estilo fanfarrão
(e nisso o citadino é campeão,
escondendo dos outros as misérias)!


Como residiu sempre na cidade,
repleta de ruídos, poluída,
lhe fica uma enormíssima vontade


de não abandonar aquela vida
de bom convívio, de tranquilidade,
de sã camaradagem, mais sortida...


Outubro de 2001


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Bom Termo


Um menino deixaram a remar,
por muito tempo, só, num calmo lago,
sem alguém que o pudesse socorrer.
Então, iniciou-se um grande azar,
que o pôs nervoso, apreensivo e gago,
p'ra alertar do que estava a suceder:


É que o barquito de água se inundou
e, não tendo nenhuma experiência,
não via solução para o problema,
que para aquela fase o arrastou,
podendo ter a triste consequência
de à Vida acrescentar mais um dilema...


Um hábil pescador, discretamente,
da margem contemplava aquela cena:
Sem perder tempo, à água se lançou,
nadando até à embarcação pequena
e, nos braços tomando o inocente,
do afogamento certo o libertou!


Dezembro de 2001


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Desobediência


O Miguel despediu-se da mãe, ternamente,
pôs aos ombros a sacola,
que eram horas de ir p'rà escola...
Ela recomendou-lhe que fosse prudente
no trajecto a percorrer,
para nenhum azar ter.


O menino, um pouco a medo,
como já não era cedo,
pediu para levar a bicicleta.
A mãe respondeu que não,
por causa da confusão
de carros, que a deixavam inquieta...


Saiu, então, de casa, decidido
a ir, como sempre, a pé.
De repente, viu o Zé
(um colega diário, atrevido),
que a bicicleta montava
e aos perigos não ligava...


Gritou, ao parar na rua:
"Miguel, vai buscar a tua,
pois só assim não chegas atrasado+"
Agora não hesitou
e na garagem entrou,
surgindo no transporte recusado!


Descolaram os dois a pedalar
a grande velocidade!
Ao Miguel, a adversidade,
em curto espaço, veio visitar:
numa curva, derrapou
e num muro se esbarrou...


Logo a mãe foi avisada
e acorreu, preocupada.
Ao chegar observou que, felizmente,
o filho não se feriu.
Com um beijo lhe pediu
que jamais fosse desobediente...


Janeiro de 2002


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Muita Sorte


Por muito estranho que isto lhes pareça,
o João Pedro teve muita sorte,
quando, daquela vez, num fundo tanque
foi tomar banho. Bateu com a cabeça,
ao mergulhar, e uma golfada forte
de sangue nunca mais estava estanque.


A Sofia Isabel, pequena irmã,
que, no canículo fim de manhã,
ali perto, brincava com prazer,
quando naquele estado o viu aflito,
para casa correu, soltando um grito,
a alertar p'rò que estava a suceder.


Logo a mãe veio em louca correria
e os primeiros socorros teve o filho:
o que podia ser um bom sarilho
foi resolvido numa enfermaria...


Fevereiro de 2002


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Chula de Vila Verde


- Vila Verde tem valor
nas regras da cantoria:
Nesta chula, cantador,
mostra-me sabedoria.


- Não é só no desafio,
mas também em muitas danças,
onde está presente o brio
de jovens, velhos, crianças.


- Há bandas, ranchos, fanfarras,
pelo concelho dispersas,
que animam arraiais, farras,
manifestações diversas.


- Existem bons tocadores
de instrumentos populares
e muitos animadores
de tocatas e cantares.


- Digo, com satisfação,
que estou bem acompanhada,
pois também és campeão
nesta simples desgarrada.


1999


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O Café


A plantinha do café,
segundo conta uma lenda,
seria ignorada até
que, olhando da sua tenda,


um pastor árabe viu
as ovelhas do rebanho
comerem aquelas folhas
e frutos e conferiu
que tinham um porte estranho,
com reacções de zarolhas...


Bem mais activas ficaram,
quando eram alimentadas
pela planta tão pequena:
outros pastores deixaram
que as reses por si guardadas
entrassem na mesma cena,


da tal plantinha ingerindo
e no final concluindo
que igual coisa sucedia:
foi com este lamiré
que mais tarde surgiria
o saboroso café!


Maio de 2002


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Contentamento


Quando a escola terminou,
um menino foi aos ninhos
e um muito bem feito achou,
cheínho de passarinhos.


Enterneceu-se ao olhá-los,
com um ar maravilhado,
concluindo que roubá-los
seria grande pecado:


Então, não se arrependeu
por agir daquele jeito
e para casa correu,
a sorrir, de satisfeito!


Maio de 2003


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Os Instrumentos


Qualquer instrumento
gosto de tocar:
exige talento
bem executar.


Escutem as clavas,
estes dois pauzinhos,
nada parecido
ao som dos ferrinhos.


O timbre dos pratos
soa à maneira
e agora comparem
com o da guizeira.


Este é o reco-reco,
olhem que beleza,
muito diferente
da caixa chinesa.


O tambor se toca
com uma baqueta,
a fazer contraste
com a pandeireta.


O par de maracas
toca docemente;
o aro com soalhas
também 'stá presente.


Agora em conjunto,
para terminar,
pois já demonstrámos
sabê-los tocar...


Outubro de 2003


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As Estações do Ano


Está a acabar Setembro,
que nos levou o Verão
e ofereceu o Outono:
até que passe Dezembro,
as longas noites virão
para prolongado sono...


Termina em Março o Inverno,
em Dezembro começado:
sucede-lhe a Primavera,
que vem ornada de terno
manto verde, debruado
só a flores de quimera!


Em Junho, de novo, chega
o desejado Verão,
que as férias grandes nos lega...
Aqui, às quatro Estações,
o sensível coração
exulta com saudações!


Setembro de 2004


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Um Brinquedo


Tenho um segredo
para contar:
vi um brinquedo
e, nesta idade,
senti vontade
de recordar...


Perdi o medo,
vou confessar:
vi um brinquedo
e, com saudade,
'squecendo a idade
pus-me a brincar...


Outubro de 2004


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Cãozinho e Gatinho


Ão, ão, ão faz o cãozinho
e dizemos que é ladrar,
ao contrário do gatinho,
cuja voz é o miar!


Com um cão de boa raça
gosta o homem de ir à caça.


Muito esperto e bom é o gato
que afugenta e caça o rato.


Não se entendem cão e gato, bem como este com o rato.


Era bom que se entendessem
e pacíficos vivessem.


Março de 2000


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O Periquito


O Jorge era pequenito
e ao finalizar a escola
para casa caminhava,
a tratar de um periquito
que, preso numa gaiola,
tão bons momentos lhe dava.


Sucederam-se uns três anos
essas maviosas cenas
de sã reciprocidade:
brincavam como dois manos,
em tropelias amenas,
sempre isentas de maldade.


Nunca falhava a visita,
bem cedo, antes de partir
para a jornada bendita,
que palmilhava a sorrir,
pois desejava crescer
no físico e no saber.


Um dia, ao chegar da escola,
encontrou a portinhola
aberta, a prisão vazia
e um silêncio jamais tido:
esvaiu-se-lhe a alegria
e chorou, entristecido!


Não soube o que se passou,
mas nem tudo correu mal:
um vizinho, no quintal,
com grande astúcia, o caçou,
vindo-lho logo entregar,
feliz, por o consolar.


Jorge sentiu um alívio,
por regressar ao convívio
do querido periquito:
repleto de comoção,
com um bater inaudito,
exultou-lhe o coração!


Dezembro de 2004


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Ao Rio Cávado


Para o Jorge Emanuel Pedrosa


Rio Cávado que passas,
ali, na Vila de Prado,
quero fazer-te um pedido:
que nunca mal algum faças
a qualquer desventurado
que em ti se encontre perdido.


Sobretudo às criancinhas,
que nas margens vão brincar,
simples, despreocupadas,
nas areias, nas ervinhas,
nas águas a mergulhar
e a molharem-se, às chapadas.


Mas também aos mais crescidos,
não os deixes afogar,
nos fundões, nos remoinhos:
ficam os entes queridos,
saudosos, a prantear
e agredidos por espinhos+


Suplico, ó rio que nasces,
lá na serra do Larouco,
indo a Esposende morrer:
nos locais por onde passes,
não procedas como um louco,
que faz mal só por prazer...

Dezembro de 2004


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A Fantasiar


Mágico barquinho,
leve, a deslizar,
devagarinho:
traz muita criança
a trautear
belas canções
de amor, de esperança,
que alegram corações!


Cantos de ternura,
como um roseiral,
têm textura
de fino bordado
do enxoval
que vai ornar
um casto noivado
com timbres de encantar!


Março de 2005


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Bonita Andorinha


Para o Manuel José Miranda


Andorinha, bonita andorinha,
como gosto de ver-te voar,
com chilreios, em tanta voltinha,
que é ternura o espaço a alegrar!


No beiral da minha casa,
quantas vezes, vens poisar,
pela chuva, ou sol em brasa,
belo ninho a edificar!


Chega o tempo da postura
e, dos ovos, nascerão
rebentinhos de ternura
que, a pouco e pouco, serão


para a vida preparados.
Ao ter asas p'ra voar,
contigo vão emigrados
e noutros climas morar.


Lá farás um outro ninho,
para o ciclo consumar:
aos lindos beirais do Minho,
muito em breve, o regressar+


Como és ave migratória,
sei que partes p'ra voltar
e trarás sublime história,
de outras zonas, p'ra contar.


Pressentindo a Primavera,
ansioso e a sorrir,
de atalaia, estou à espera
de, no ar, te ver surgir!


Ao beiral da minha casa,
qualquer dia, vais tornar
e, com chuva, ou sol em brasa,
novo ninho a edificar!


Primavera de 2005


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Muito Alegres


Para a Fernanda Pereira


Muito alegres e com palmas
demonstramos a alegria
que nos enche as puras almas
no viver de cada dia!


No recreio, na escola,
ou no parque de um jardim,
nada anima e nos consola
como um passatempo assim!


Adoramos os momentos
de agradável emoção,
porque damos sãos alentos
ao sensível coração!


Muitas palmas bateremos,
inundados de prazer,
e oxalá nunca encontremos
maus bocados p'ra viver!


Tentaremos pela vida
o lazer aproveitar,
que é a jóia mais querida
que nos podem ofertar!


Maio de 2005


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Minho


Para o Arlindo Fagundes


O nosso Minho é roteiro
de puro encanto e risonho;
é verdejante canteiro
para viver sempre em sonho.


Quem por cá passa não perde
um colorido tão franco:
de Verão, veste de verde
e, no Inverno, de branco!


Neste mimoso cantinho,
graças ao óptimo clima,
se colhe e bebe o "verdinho",
que tantos seres anima!


É região de alegrias,
com viras, chulas, malhões,
com arraiais, romarias
e geniais procissões!


Desde Vizela a Melgaço,
ou pela orla do mar,
é um soberbo regaço
com surpresas de encantar+


Maio de 2005


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Trá-lá-lá


Está chegada a Primavera,
trá-lá-lá, trá-lá-lá!
ser sempre alegre, quem me dera,
mas não sei se assim será!


Enverga um fato de mil cores,
trá-lá-lá, trá-lá-lá!
assim verdinha e tantas flores,
ninguém mais a imitará!


Quero gozar esta alegria,
trá-lá-lá, trá-lá-lá!
hoje, amanhã, dia após dia,
ai, meu Deus!, como será...


Março de 2006


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Marcha dos três Santos Populares


Balões e mil arquinhos,
p'ra tudo enfeitar
levemos nesta marcha,
alegre e popular.


De viva voz soltemos
inúmeras canções
e tudo que se afogue
em ternas ilusões...


Chegou o mês de Junho,
um mês para folgar,
e os santos populares
queremos festejar:


Primeiro é santo António,
depois vem S. João,
por fim chega S. Pedro
e acaba a reinação!


Cidreira e alcachofras,
martelos a vibrar,
cheirosos manjericos,
foguetes a estalar.


Não faltam bailaricos,
fogueiras p'ra saltar
e tantas serpentinas,
garridas, a voar!


Junho de 2006


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O Meu Pião


Eu tenho um pião, já velhinho, que gira,
sempre que o deseje, na palma da mão:
seguro a baraça e, com força, se atira
e é vê-lo a dançar, longo tempo, no chão!


Vou-lhes revelar, que não guardo segredo:
na risonha infância já fui campeão;
a tentar agora, Jesus!, tenho medo,
pois posso falhar e que desilusão!


Agosto de 2007


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Dia de S. Martinho


No mês de Novembro
vem o S. Martinho:
comem-se as castanhas
e prova-se o vinho!


Nas grandes fogueiras
estalam castanhas;
divertem-se as gentes
em festas tamanhas!


São boas assadas,
cruas ou cozidas:
no tempo em que as há,
tão apetecidas!


Ao longo da vida
sentimos desejos
destes sãos convívios
tidos nos festejos!


Magustos, magustos,
castanhas e vinho:
são sempre um regalo,
viva o S. Martinho!


Outono de 2007


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Pai Natal


Para o Padre António rodrigues


O Pai Natal,
largo sorriso,
é um postal
de Paraíso.


Meiga figura
donde irradia
amor, ternura,
paz, harmonia...


Bondoso velho,
barbas de arminho,
fato vermelho,
gorro quentinho.


De saco às costas,
grande e pesado,
passa as encostas,
o descampado.


Percorre aldeias,
vilas, cidades,
com as mãos cheias
de raridades...


Jamais se cansa
de caminhar:
dá-lhe pujança
o viajar.


Quando aparece
traz a alegria,
numa benesse
do santo dia.


Falam as lendas
e a tradição
que tira as prendas
do coração!


Tanta criança
corre, contente,
com a esperança
de ter presente.


Mas a quem chega,
carente ou não,
nunca lhe nega
franco quinhão...


Ouve-se um brado,
justo e leal:
"Muito obrigado,
bom Pai Natal++"


Novembro de 2000


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Já é Natal


Luz do pinheirinho,
tudo a iluminar;
ramos de azevinho,
tanto presentinho,
só para enfeitar!


Flocos de alva neve
cantam manso hino,
amoroso e leve,
dizendo que em breve
nasce o Deus-Menino...


Sinos que repicam,
da planície ao val':
O que significam
e por tudo explicam
que já é Natal!


Novembro de 2002


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A Floresta




Março de 2000


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Os Três Reis do Oriente


Os três Reis do Oriente caminharam no destino de uma estrela tão fulgente, que os levou junto ao Menino e adoraram, ternamente, o pequeno Rei divino!


Já nasceu o Deus Menino, ó ouvintes, bem sabeis, vimos dar as boas-festas e cantar os Santos Reis.


Aos três magos, linda estrela, o caminho lhes mostrou: cada um, na fria gruta, Mãe e Filho venerou.


Nas palhinhas, despidinho, o Pequeno a soluçar: S. José e a santa esposa a querê-l'.o consolar.


Apressaram-se os pastores o Reizinho a visitar, ressoando, à porfia, coros de anjos a cantar.


Despedimo-nos, por hoje, com um franco agradecer: nesta data, para o ano, voltaremos, com prazer.


Reis de 2001


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Matinal


Pela manhã,
salto da cama
e, com muito afã,
mesmo em pijama,
tomar já posso
o pequeno-almoço.


É bom brincar
sempre que há dias
com sol a brilhar:
ai que folias
e brincadeiras
de muitas maneiras...


Mas se chover,
logo procuro
um qualquer prazer:
se tenho um furo,
na minha escola
vou jogar à bola!


Jogo o pião
e me convenço
ser um campeão:
mas também penso
que ao me gabar
estou a sonhar+


Não voltam mais
os tempos d'ouro
de risos ou ais:
belo tesouro
só d'esperança
pertence à Criança+


Outubro de 2007


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Bons Momentos


Lindo sol que brilha
num mês de Verão
e que maravilha
uma diversão!


Vamos para a rua
correr e saltar,
até vir a Lua
com muito luar!


De manhã, cedinho,
sem tempo perder,
cada bocadinho
dá grande prazer!


Ao longo do dia
há que aproveitar,
com toda a energia
o que é bem-estar+


Novembro de 2007


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Canário


O lindo canário, meigo, canta:
assim quem me dera igual garganta!
a canção subtil,
pelo ar,
faz-se ouvir
em gorjeios mil
p'ra alegrar
e sorrir!


Novembro de 2007


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A Floresta




Março de 2000


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Dia da Mãe


Às Crianças do Universo


Nome pequenino,
três letras contém
e tão belo hino
o compôs Alguém!
Graúdo ou menino,
sempre Lhe quer bem:
amor genuíno,
somente o de Mãe!


Maio que inebria
com perfume e cor
nos traz esse dia
de humano calor,
Que espalha alegria,
mil e uma flor:
sincero aleluia
de grande fervor!


Devoto, me inclino
em justo louvor
ao diamantino
nome de fulgor,
compondo poesias
e cantos também,
que todos os dias
são dias da Mãe!!


Janeiro de 2008


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Mimos


Aos meus Filhos


Agora à mente me veio
o sabor das merendolas,
partilhadas no recreio, guardadinhas nas sacolas...


Houvesse chuva ou geada,
nevões ou sol escaldante,
para a escola, a caminhada,
quando pequeno estudante...


Vagarosa, cai a neve,
de branco, tudo cobrindo:
é um tapete tão leve,
onde sulcos vão abrindo...


Ia o tempo decorrendo
e o filho sempre tão rude:
a boa mãe vai sofrendo,
na esperança que ele mude...


Quando o mendigo passava,
vindo de estender a mão
à caridade, enxotava,
um da mesma condição!


Uma toalha velhinha,
bordada e de puro linho,
foi herança da netinha,
como prenda de carinho!


Certa noite, tive um sonho,
enquanto estava dormindo:
ao acordar foi medonho
o que fôra muito lindo...


Que música maviosa
extasia os meus ouvidos:
só a diz fastidiosa
quem não tiver bons sentidos!


Quando para casa ia,
encontrou um cachorrinho
que, cheio de dor, gemia:
dele cuidou com carinho!


Ouço os bandos de gaivotas,
com um alegre piar, seguindo diversas rotas,
a perderem-se no mar!


A chuva tanto tardou,
todos dela a se queixar:
por agora, cá chegou
e que venha p.ra ficar!


No meu antigo pião, sem querer, fico a pensar:
ele a girar-me na mão,
sereninho, até parar...


Que bem sabe apreciar
as violetas gentis, suaves, a perfumar as manhãs primaveris!


Mais uma noite passou
e eu sem um pouco dormir:
como o dia já raiou p.rw trabalho vou partir!


Pai-nosso, de eterno amor,
em pão-nosso deste dia,
faz que ninguém sinta dor
e desfrute d.alegria!


É bem certo o conteúdo
da frase muito lembrada:
*"Quem tem uma Mãe, tem tudo;
quem não tem Mãe, não tem nada!"*


Olha como canta e dança,
feliz, despreocupada, aquela humilde criança,
do mal ainda alheada!


Apareceu a menina
há três dias procurada:
foi a protecção divina
que a não quis desamparada...


Fonte cristalina e bela,
não deixes de marulhar;
lá no céu, fagueira estrela,
não pares de cintilar!


Mar calmo, mar revoltado,
mar amigo e traiçoeiro:
por tantos és desprezado
e de tantos cativeiro!


Toca, toca a bela flauta,
ó pastor, galgando a serra,
mas ouve a ovelha, incauta,
que às garras do lobo, berra!


É que já mais nada resta,
após o fogo ateado
à povoada floresta, com tudo agora queimado...


A Primavera perfila com fatos de muita cor:
infindável gipsofila
faz tapetes de primor!


Perdeu-se no descampado,
o incauto viandeiro:
ficou desorientado com o denso nevoeiro!


Plantou, quando era miúdo,
uma varinha, na jeira;
agora, que é bem graúdo,
usufrui da cerejeira!


Sobe ao velho castanheiro,
ouriços a varejar: ainda sou lambareiro,
para as castanhas rilhar!


A Lulu ou o Fofinho nunca os deixo ao abandono,
pelo sincero carinho
que dedicam ao seu dono!


O vento geme ao passar
por bosques, lagos, campinas,
desertos, montanhas, mar,
cidades, vales, colinas!


A casa, após o trabalho,
é tempo de regressar,
com o corpo num cangalho,
pelo duro mourejar!


Estralejaram foguetes,
houve grande procissão:
por tudo, lindos tapetes,
o respeito e a devoção!


Meigo olhar, quase divino,
e mil sorrisos, também,
expressava o pequenino
quando pressentia a mãe!


Era traquina o pequeno,
sempre a correr, a saltar,
que não havia terreno
bastante para brincar!


É um canto de alegria,
de manhã, muito cedinho,
que despede a cotovia
pelos campos deste Minho!


Nasceu na grande cidade
, vinha no campo passar
horas de felicidade,
em convívio salutar!


Às vezes, dou meu conselho,
sempre de uma forma amiga:
respondem-me que estou velho
e penso à maneira antiga!


É tão bela a borboleta
(quem é que o pode negar?):
uma gentil violeta com asas para voar!


Varreu-se-me da memória,
mas há pouco tempo ainda,
uma maviosa história
de fada bondosa e linda!


Mas que bonita andorinha,
perto do chão, a voar:
atenta, uma criancinha,
a procurava apanhar!


Já se ouve soar o sino,
em repiques de alegria,
saudando, em festivo hino,
Jesus, José e Maria!


Naquele verde carvalho
está um cuco a cantar:
mesmo dando bom trabalho,
quem mo dera engaiolar...


Quando podia trepava
às cerejeiras frondosas:
com gula, me consolava,
de cerejas saborosas!


Não fez papel de velhaco,
pois actuou com carinho:
despiu e deu o casaco
ao paupérrimo velhinho!


Regougou uma raposa,
com o apurado cheiro:
a menina, cautelosa,
trancou bem o capoeiro!


Cantante, corre o ribeiro,
com um doce marulhar:
feliz, escolhe o carreiro,
com pressa de ver o mar...


Dia de sol, tão bonito,
mil pardais a chilrear:
ridente, p.lo infinito,
a Primavera a chegar!


É um dos mais belos dias,
flores por todo o caminho:
em paz, trocam-se aleluias,
no lindo e devoto Minho!


Oxalá toda a Criança
Possa em tudo ter arrimos,
Compreensão, esperança,
Rumas de amor e de mimos...


2005-2008


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